sexta-feira, 29 de agosto de 2014

E eu acho que nunca as madrugadas foram tão casa pra mim do que nessa minha fase. O silêncio, ocasionalmente uma tosse ou choro de bebês aqui em casa, mas nada grave como a confusão e caos das horas em que o sol banha a retina dos olhos. Consigo ouvir meus pensamentos. Consigo caminhar, assistir seriado, estudar, ler, me mover dentro de casa sem ser interrompida nenhuma vez, chegar ao lugar que eu ia fazer alguma coisa e fazer tal coisa sem ter que voltar ao lugar onde eu estava para lembrar o que era essa tal coisa porque mil coisas acontecem no meio do caminho. Comer doce sem ter que dividir, nem dar bronca. Respirar fundo sem ter que justificar. Não há tempo melhor do que a madrugada nessa fase "de volta para casa". Quando o sono e os compromissos permitem. O "fazer nada" e o "fazer algo" é mais prazeroso. Existem partes da solidão que me apavoram, sim. Mas essa.. doce gosto tem pra mim.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Noite estrelada

Este final de semana acabou de passar e foi uma das coisas mais lindas que já vivi. Tanto comigo mesma quanto com outro alguém. A companhia respeitosa e que presenteia a cada encontro, a cada segundo de estância.

Convidei-o para uma volta na praia. Uma pentelhice sem fim: “vamos na praia?”, eu pulando e saltitando no chão, enquanto ele esparramado preguiçando ainda deitado na cama. “Vamos na praia!?”, entre risos e espreguiçamentos, ele saltou da cama e colocou uma camisa. “vamos”. E fomos. Caminhando já de noite pelo condomínio.. ele, pés descalços, eu, chinelos.

Chegando lá, o espetáculo inesperado. As estrelas no céu quase invadindo o mar, deserto de pessoas e de barulhos. Um abraço, aquele olhar, aquele céu. As estrelas brilhavam mais lindamente do que das que eu conseguia observar na roça, onde morava quando criança.

O mar ali na frente, calminho, brincalhão, água sempre sendo algo brincante pra mim. “Vamos ver como está a água”... Ele foi caminhando em direção a areia molhada, fomos molhar os pés um pouco mais. As ondinhas maiores vieram, ele saiu correndo, eu fui atrás, não queria molhar a roupa, ele não queria esfriar o corpo. Alguns gestos e cenas nos retornam a infância de um jeito bem engraçado. Em minha cabeça me vieram às lembranças de quando ia em direção às ondas, pulando uma por uma, e depois saindo correndo, fugindo delas para não me alcançarem. A brincadeira não era essa, não era uma brincadeira, mas bem que parecia.


A lua estava iluminando bem, apesar de não ser noite de lua cheia. Ele queria que estivesse mais escuro para poder enxergar melhor as estrelas; já eu, estava feliz por poder enxergar bem os olhos dele.