sexta-feira, 19 de abril de 2013

Ex.

Foto: Vanessa Komatsu


Desde quando ouvimos a primeira voz.

Gravamos em nossa memória auditiva para tentarmos reproduzir mais tarde: o tom, o grave, o agudo, o grito, o choro, a raiva, o amor, a delicadeza, a gentileza, o exemplo.

Desde o primeiro gesto que vemos de expressão facial.

Gravamos e tentamos reproduzir o que tanto repete a nossa volta, no nosso contexto de amor, de raiva, de vontade, de alegria, de paixão, de empolgação, de tédio, de preguiça, de luxúria. O exemplo que tentamos seguir (independente de ser bom ou ruim.. isso não cabe.. discernimento sempre vem depois da ação.. e geralmente depois da reação da nossa ação).

Desde as primeiras palavras, frases, textos, xingos, esbravejamentos, incentivos, reprovações, "não", "sim, claro", "porque não", "porque sim", doutrinas, novelas, filmes..

Reproduzimos e cada vez mais tornam-se parte de nós, de nossas vontades, nossa personalidade, nosso modo de sentir, de ver o mundo, de querer ser, dos nossos sonhos e pesadelos..  Mais uma vez: isso vem de algum exemplo externo.

Desde a creche, a pré-escola, em alguns casos: evangelização em alguma religião, catequese, que seja, desde o colégio, cursinho, faculdade e o diabo a quatro, trabalho posteriormente.. ainda recebemos e continuamos apreendendo essas informações, desde a primeira voz diferente, o diferente tom, a delicadeza, a raiva do outro, o amor do outro, o modo de amar, o modo de dizer as coisas, de demonstrar, de viver...

Desde que nascemos é esse eterno compreender dentro de nós.

De formas diferentes para cada um. (porque cada um recebe essas informações de um jeito diferente, e com um arquivo dessas informações diferente por mais que tenham frequentado os mesmos lugares e com as mesmas pessoas..)


O que não observamos com frequência é que  os exemplos somos todos nós  e assim como um dia nossos pais, irmãos, amigos, tios e tias (porque quando a gente é criança todo mundo é tio e tia) desde que começamos a nos manifestar enquanto seres humanos, a respirar, a olhar, a nos movimentar estamos sendo referência para outras pessoas, para outros seres humanos com seus próprios arquivos. Estamos sendo exemplos das pessoas com quem convivemos, com quem conversamos, falamos, encontramos...

Esperar o outro mudar sem pensar na responsa que é acreditar que não se tem responsabilidade sobre ninguém é ter falta de consciência desse processo básico na vida.. Independente se se é de amigos, de amores, de avós, de irmãos, de pais ou de colegas de trabalho: sempre somos referência de alguém, mesmo que seja no jeito de andar, de falar palavrão, de estralar os dedos, de espirrar, de não jogar lixo na rua, de sempre tentar ver o lado bom das coisas, de falar tudo que vem a mente, de aprender a silenciar no momento certo, mania de mexer no cabelo, de rezar antes de dormir, de mascar chiclete, de limpar os óculos, de dançar...

Tantas, mais tantas coisas! Que, durante a vida, aprendemos com todas as pessoas que cruzam pelo nosso caminho.. muitas que nem sequer lembramos o nome ou nunca nem chegamos a trocar uma palavra sequer.

A gratidão e a indiferença andam lado a lado, ainda mais para pequenos grandes detalhes da vida como esse.

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