quarta-feira, 24 de abril de 2013

a tempo

quero muito que não haja
o tempo
corrido

quero o tempo que escorre pelos dedos..
que derrete entre minhas mãos..
que queime minha pele..
que marque o meu corpo..

não desejo que ele se auto consuma..
não quero que se apague como a parafina de uma vela..
nem que se esfarele no ar como a fumaça do barbante que o fogo queima..

quero muito que o tempo não espere..
que a vida corra...  e percorra
não me atropelando, mas que passe por mim..
não por fora
mas por dentro

que me perfure e me desvele..
me revele..
mesmo que o tempo não revele
que o que é externo não veja, não me veja...

que o tempo persevere
em ser tempo.

espero que esteja ainda a tempo de aprender tudo
ao menos tudo que for mínimo (de se aprender com o tempo

que me resta.)

Foto: Vanessa Komatsu



Nenhum comentário:

Postar um comentário