sexta-feira, 29 de março de 2013

"Só se perde o que se tem"

Se fosse sempre assim..
tava é bom.

Perder o que se acha que tinha: considero pior.
Iberê Camargo sofre das memórias que não consegue pegar com as mãos, só reproduzir, com suas mãos, com seus pincéis, e talvez apreender de forma diferente, de forma literária, com seus textos.. mas.. 

A gente também perde o que não tem.
Perde o que um dia acreditou ter tido.
E acho mesmo que essa se não a pior, é uma das piores perdas.

O que se teve, fica. Em pedaços, em grandes pedaços de nós.
Gravados, gravurados, água rasas, águas fortes, litos, xilos, em linólios de nós mesmos..
seja em que técnica, em que suporte que nos suporte as memórias próprias..

O que se perde é o que nunca se teve.
O que tivemos, ainda temos, mesmo que seja só dentro de nós.
Quando perdemos isso de dentro é que é a perda real.
O que perdemos do outro, o outro também perde em parte, mesmo que seja pra uma mudança boa, mesmo que seja uma perda boa, para dar lugar para coisas melhores, parte do que temos.

O que se perde
perdido sempre esteve.
Nunca achado.
Achados achados, perdidos estão. ainda.

E cada um acredita no que lhe (melhor) convém.




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