domingo, 26 de fevereiro de 2012

Porque não queria



Falava no seu idioma.
No idioma dos tolos.

Falava difícil porque não queria ser entendido.
Dentre tantos, ele.
Dentre ele, tantos.

Outros que não ele, mas dentro dele, tantos.
Personagens, características, fantasias, sonhos.

Bauzinho cheio de metáforas de si mesmo.
Máscaras que caíam e mostravam-lhe mais máscaras a desvendar, explorar..

A máscara principal ficara protegida, no social.
Na escola, no colégio, no cursinho as coisas mudaram.

Faculdade nem pensar. Estudara errado a vida toda.
Havia investido tanto numa coisa tão insuficiente para a sua própria vida.

Triste lembrar, chances perdidas.
Talvez ganhou outras por causa dessa perda talvez pequena. Talvez grande.

Amor e romances nunca fizeram parte de seu cenário de vida.
Sua postura sempre social, ereta, gramaticalmente correta, impecável com espinhas no rosto.
A mocidade perdida. O ridículo de que se orgulhava tanto.

Cansado. Perdido. Achado em meu texto.
Canto pra acalmar toda chance de perda irreparável.
E que com esse canto, pare toda possível dor maldosa de querer acontecer.

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