quinta-feira, 23 de junho de 2016

Eu quando danço

Tem certas presenças que não se diluem com o tempo.

Aquela que vibra dentro da música, de cada nota, de cada tom, de cada melodia tocada...

O corpo quer dançar, não pra alguém, mas pra vida, quase uma celebração à vida.

A alma dança, não sei se porque já nasceu dançarina, ou se porque foi contaminada durante a vida..

Mas não adianta.

É fechar os olhos ou estar sozinha pra imaginar coreografias várias e tentar dentro do meu limite físico de espaço e de elasticidade corporal alguns movimentos arriscados de livre, firme e pura expressão.

São coisas que só quem sente sabe.

Não é descritível. 

É como se você vivesse a voz do outro, a energia, a vibração do outro.

É como se entrasse na energia das vibrações da voz ou do instrumento que o outro toca.. te toca.

É como as linhas imaginárias puxassem o corpo como nos exercícios de projetos com pessoal de cênicas, só que as linhas são várias, vem de dentro, estão presas ao universo! É como se explodisse além da carne, além do som e além de toda e qualquer energia.

Você se torna energia.

Você vibra o que o som te faz vibrar, o mesmo ritmo, o mesmo movimento...

Você dança.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Certos amores nós temos para aprendermos a ser pessoas melhores
Certos amores nós encontramos para conseguirmos valorizar os bons momentos
Outros até para aprendermos a nos valorizar.

E aprender que muitas vezes o amor dito pela boca
não é o mesmo que o sentido pelo coração.

Às vezes nem sequer temos realmente prazer em celebrar mais um ano "juntos".
A cada ano que passa é mais um desafio do que um presente.

Mas existem amores que a gente espera a vida toda, procura, deseja. Faz pedido no aniversário, ano novo, rezas, promessas para encontrar e quando a gente menos espera. Ele aparece. Como recompensa do caminho percorrido.

Uma chance que a vida nos dá para sermos felizes de verdade.

Nesse caso, o medo pode ser o nosso maior inimigo. O medo que causou calos e que vem de feridas profundas, antigas, às vezes até desconhecidas. nunca mais revisitadas.

A gente se acostuma com certas dores. Carregamos dentro de nós um grande pedacinho de cada amor que tivemos. Os mais marcantes têm pedaços maiores, claro.

Os calos nos fazem parecer insensíveis.
O medo enquanto proteção é bom somente enquanto cumpre sua função.
Depois que ultrapassa seu limite pode ser um grande risco à grandes possibilidades na vida para se abrir pras pessoas certas na hora certa.

É preciso enorme sabedoria e muita força. E claro, aquela certeza no fundo do peito que tilinta na alma da gente, que parece como o ar de tão leve, preenchendo nosso corpo.

Se tiver essa sorte de encontrar a pessoa que te faz tilintar a alma.
Que faz você brilhar mais de alguma forma especial. Tiver força e sabedoria suficiente, aproveite essa chance.

As experiências sempre serão únicas, claro. Cada amor a gente vive diferente. São momentos nossos específicos e da vida também.

Mas às vezes, e no meu caso, a maturidade talvez chegue simplesmente nessa escolha de ser feliz, com todas as particularidades que isso possa ter ou ser.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

um pesar

Ao me sentir uma pétala em sua queda
Que nunca tem fim..

Algumas levezas pesam de outro jeito.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

How wonderful life is while you're in the world.

Como é bom voltar a sentir as coisas. 
Sentir as cenas, as pessoas, mesmo sem estar pertinho delas corporalmente, de poder olhar nos olhos.

Como é bom voltar a ter lágrimas de alegria, de tristeza, de uma emoção qualquer. 
Parece muito simples, mas deveras importante (ao menos pra mim).

Como é bom voltar a (me) sentir.

Go back to feeling myself, my colors, my internal music, my little and great shine. It is personal. It is for and from me. The beauty is this. No one can steal this. That is it. It just... wonderful.

São talvez só pequenos momentos, mas onde se respira e onde me alimento. Quase uns lapsos da realidade. Um lugar onde eu ouço muito mais o canto dos pássaros do que a meus problemas.

terça-feira, 14 de julho de 2015

A página em branco

"E eu me pergunto o que é que eu sou
Vai ver eu não sou mesmo nada
E eu me pergunto o que é que eu fiz
Vai ver eu não fiz mesmo nada
Eu penso tanto em desistir
Mas afinal, não ganhei nada"

Aquele que foi pra nunca mais...
Quem dizia que era tudo mas tratava como se fosse menos que nada.

Não fiz nada que deveria..
Eu só queria.. E me impedia, estadia: prisão

A vontade de durar me perseguia
Não conseguia assumir uma fuga espontânea

Foi forçada, sem saída, sem jeito, sem mérito
Desistir não era a palavra, era começar a persistir

Em meus próprios desejos ter uma vida melhor
Um amor que cultivasse em campo fértil, mesmo que em terreno virgem, desconhecido

Não sentia que ganhava em nada, por nada, por ninguém
Me perdia, me acabava, me esgotava, me apagava

A página em branco e as malas jogadas fora...
Foi pra dar ao novo uma chance mais que real: concreta.

As falas eram só reforço das ações, não eram mais só palavras contraditórias..
Não era mais confuso, nem esquizofrênico, muito menos prisão

A liberdade real não está na nomenclatura, em conceitos, em caixas novas.
A liberdade real está em viver, em deixar viver, em fazer mais que dizer.. deixar ser.



terça-feira, 16 de junho de 2015

ele não mora mais ali

ele mudou de casa
na verdade, a mãe dele mudou de casa, consequentemente ele, quando voltar para a cidade, também vai mudar de casa..

o problema não é ele ter mudado de casa, é não saber onde ele está
e o problema não é ele.
é ela.

onde será que ela está?
pra ela que eu não consigo sorrir, ser educada, gentil, normal.

e ele mudou de lugar.
mudou de casa.
minha casa mudou.

tantos aqui abriguei que nem sei se cabe a conta.
paixões, amores, rolos, pegação.
admiração intelectual, admiração de estilo, de ideias, de energia.. de atitudes...

tanta gente mora
tanta gente já morou em mim..
engraçado que essa 'morada' é como revisitar a casa onde já se morou..
o corpo é a casa.
e se meu corpo habitaram..
é como se em cada cômodo houvesse uma memória ali..
meio apagada, quase esquecida...

mas o cheiro as vezes volta
as imagens de pessoas na casa agora vazia..

novas pessoas, novos móveis, novas coisas, novas vivências preenchem o vazio
aos poucos, as vezes nem tão devagar..

aquela espera as vezes não desejada de querer alguém que não vá, que fique a morar..

o legal é perceber onde queremos morar.
dentro de nós, nos outros, nas nossas ações, nas nossas memórias, no nosso presente, no nosso passado...

o passado é muito grande pra caber no presente.
as coisas vão mesmo.. querendo nós ou não.

habitemo-nos.
desabite-se.

o ciclo sempre repete.. a espiral nos leva a lugares especiais.
observe.

mesmo porque, ele não mora mais ali.